sábado, 8 de maio de 2010

Somewhere over the rainbow...

Ainda pequena aprendi que o arco-íris sempre aparecia no céu quando o sol começava a sair enquanto a chuva estava quase terminando, mas não sabia ainda que havia uma explicação científica pra isso, e que o arco-íris tem até hora pra aparecer no céu, sempre no começo da manhã ou final de tarde, segundo o que aprendi no ensino médio, há algum tempo atrás, que não vem ao caso.
Uma vez tive um sonho, há um tempo atrás, um ano e pouco acho, em que me via no meio de uma tempestade e de repente eu olhava pro céu e via um raio de sol tímido, surgindo entre aquelas nuvens carregadas e escuras, ocasionando um arco-íris bem improvável. Ao contar o sonho pra minha mãe, considerando que eu estava vivendo um momento de relativo caos emocional, mamys disse-me que talvez aquele fosse um sinal de que no meio do caos que eu estava vivendo, algo de bonito nasceria... poético, mas na prática, foi só uma situação caótica que não deixou marcas visíveis a olho nú.
Depois de um começo de fim de semana improvável, que começou com a minha religiosa visita semanal ao templo da beleza acompanhada de mamys, ou melhor dizendo, voltando um pouquinho mais a fita, meu fim de semana começou na quinta-feira a noite, arrebatada por um turbilhão de sensações que estou tentando organizar dentro de mim até agora.
Amanheci completamente ensolarada na manhã de sexta-feira. Envolvida pelos raios mornos de um sol da manhã que me conduziam ao exercício do labor diário. Enquanto eu flutuava dentro de mim mesma, esqueci de reparar que o tempo começou a mudar, e quisera eu que fosse apenas no campo meteorológico. O sol se escondeu. Os seus raios mornos de outono deram lugar a uma brisa sutilmente gélida, que posteriormente iria se materializar em um verdadeiro tufão, que viria para me carregar bem longe dos matutinos planos singelos e significativos, me obrigando a admitir que a pílula da felicidade que eu havia tomado já não fazia efeito, me fazendo lembrar ainda que tratava-se apenas de uma amostra grátis de um placebo altamente viciante.
Percebi que não posso mais adiar as conversas inadiáveis, logo terei que ouvir tudo aquilo que não gostaria de ouvir, mas que no entanto talvez precise. Procurei extravasar minha angústia através da bebedeira alheia, de um papo cabeça regado à cafeína ás duas da manhã e de uma partida e meia de sinuca, finalizada com uma performance inesperada de dança encenada numa rua deserta num final de madrugada, depois de ter passado a noite inteira vigiando o celular, esquecendo que pedi encarecidamente e enfurecidamente a alguém que não o fizesse tocar, contando nos dedos, de meia mão, quantas vezes ao longo da noite que eu de fato consegui sair de dentro de mim mesma, encontrando em algum lugar perdido na minha alma, raros e afastados abrigos a fim de me proteger da tempestade que acontecia dentro de mim.
Inicio de manhã. Depois de não conseguir cochilar por quarenta minutos, fui retirada do meu estado de transe leve ao sentir o celular vibrando ao lado da minha cabeça, como punição por um crime que não cometi (pelo menos não na noite anterior), relembrando de tudo aquilo que não consegui esquecer.
E rumando mais uma vez ao labor diário, ao som de “The One” do Elton John, a única música que eu efetivamente ouvi, dentre todas que rolaram no playlist do meu MP3 Player ao longo do trajeto, atentei para alguns pingos de chuva que começavam a formar um desenho abstrato nos vidros das janelas do coletivo que me carregava. E depois de esbravejar um pouco comigo mesma por não estar munida de uma guarda-chuva, um dos resultados da minha escolha de não passar no meu lar doce lar antes de me dirigir à labuta, olhei um pouco mais longe e vi que entre algumas nuvens levemente acinzentadas uns tímidos raios de sol que tentavam inutilmente desbravar algum brilho sobre o dia ainda tenro, e por mais que eu tenha procurado, dentro e fora de mim, nessa manhã eu não consegui ver o arco-íris.

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