terça-feira, 20 de abril de 2010

"ADQUIRA AGORA SEU NOVO AMOR! TAMANHOS P/M/G/XG... FRETE GRÁTIS."

Corações solitários em busca de um amor... Idade entre X e Y anos, trabalhadores, carinhosos, dedicados, sem filhos, sem vícios, que amem a natureza e estejam dispostos a ter um relacionamento estável e duradouro. Esse foi o resumo de uma coluna que li numa revista de variedades de um jornal de São Paulo, onde pessoas enviam suas fotos e pretensões a fim de que alguém se encaixe em suas expectativas. Não sei se é mais deprimente, cômico ou trágico o fato de algumas pessoas acreditarem que podem encontrar alguém sob medida, ou melhor, sob a medida dos seus sonhos, mas como a esperança é a última que morre e eu torço sempre por um final feliz pra todos, tomara que essas pessoas realmente conquistem o inconquistável (se é que essa palavra existe), alguém que caiba nos seus sonhos.
Relacionamentos acontecem... a partir de um olhar, do cheiro, do toque das mãos e muitas vezes, a gente nem sabe ao certo em qual momento isso aconteceu... Às vezes acontece no momento mais inoportuno possível e de repente você acaba se vendo num labirinto, em completo desespero à procura da saída mais próxima. E um belo dia você percebe que o fator relevante passa a ser o que você quer pra si e não o que quer do outro, e aí sim, somos surpreendidos novamente. Até bem pouco tempo atrás eu mesma defendi essa tese veementemente, e não querendo ser contraditória, mas sem deixar de ser, não tenho vergonha ou medo de ser uma metamorfose ambulante e admitir que talvez a coisa não funcione bem assim. Ás vezes você conhece alguém que aparentemente é o seu número, mas que por alguma razão quantitativa ou qualitativa, faz com que o sapato fique bem desconfortável no seu pé, e a situação bem desconfortável de ser mantida. Tudo bem que nada impede que o sapato seja confortável e você não tenha vontade de tira-lo do pé, embora a situação venha a te obrigar a isso.
Podem acontecer também situações extremas, onde o ditado popular “Antes um na mão que dois voando” é sumariamente contrariado e você se vê entre duas possibilidades (ou em casos mais raros e de mais sorte, até mais) distintas e dispostas, e um enorme desejo de sair voando de repente se apodera do seu ser, dado o fato de que você simplesmente não sabe quais são as os fatores a serem considerados a fim de tomar uma decisão na direção de escolher qual sapato calçar, qual pássaro libertar, enfim... e é por essa razão que muitas vezes é difícil nos guiarmos apenas pelos nossos anseios individuais, pois sentimentos, como eu já disse, são ambíguos, voláteis e traiçoeiros, e cada pessoa que passa pela nossa vida tem um jeito diferente de ser, de pensar e de nos fazer sentir em relação ao mundo e em relação a nós mesmos. Quer saber, se a coisa é assim tão complexa, talvez eu mude de opinião mais uma vez e concorde que talvez seja melhor mesmo que a gente siga pela vida esperando alguém que se encaixe exatamente num parâmetro pré-determinado e pré-moldado. Sendo assim, voto a favor dos amores por catálogo. Talvez a busca, ou espera, se torne mais simples, mas cômoda, menos perturbadora, menos emocionante... talvez, quem sabe.

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