quinta-feira, 18 de março de 2010

90 dias, sem direito a renovação.

Olá crianças!!! Embora há algum tempo eu esteja refletindo acerca deste assunto, o post de hoje será uma espécie de resposta a um post publicado num blog que acompanho de vez em quando. Digamos que foi o empurrãozinho na caixola de que eu estava necessitando.
Em suma, o post no tal blog falava sobre ciclos de vida de um relacionamento. E eu vou falar um pouquinho sobre como isso tem funcionado pra mim e ao meu redor.
Como eu disse no comentário que fiz ao referido post, todo relacionamento tem seu ciclo de vida. Alguns, mais raros hoje em dia, duram de fato “até que a morte os separe”, ou seja, nascem, amadurecem e só morrem quando um dos dois de fato passa dessa pra melhor, ao passo que outros nascem e morrem sem ao menos amadurecer.
Outro dia desses eu e mamys estávamos em casa assistindo televisão e começamos a assistir um programa chamado “SETE DIAS PARA SALVAR SEU CASAMENTO”, que é apresentado por uma terapeuta de casais cujo nome eu não me lembro, do canal Discovery Home&Health. Eu confesso que sou uma pessoa extremamente cética e não acredito que alguém possa apresentar uma fórmula mágica que em uma semana apenas seja capaz de livrar do purgatório um relacionamento que está caminhando a largos passos pro buraco há anos. Mas no decorrer do programa, a terapeuta e apresentadora disse algo que fez sentido pra mim. Um relacionamento nada mais é do que a união entre duas pessoas que tiveram criações e estilos de vida completamente diferentes e decidiram num determinado momento viver felizes para sempre, ou nem sempre. A verdade é que esses diferentes pontos de vista que ambos adquiriram ao longo de toda uma vida geram um choque inevitável quando colocados debaixo do mesmo teto. Resumindo, o que mantém um relacionamento não é o amor apenas, mas a forma como as pessoas aprendem a lidar com os conflitos que fatalmente acontecem.
Ótimo, mas antes de darmos pulos de alegria por termos descoberto não a fórmula da Coca-Cola, mas do relacionamento perfeito, não nos esqueçamos do quase insignificante detalhe que, atualmente, a tolerância das pessoas chegou a um nível tão mínimo, que praticamente ninguém tem mais paciência pra cultivar a relação e tentar lidar com os problemas que surgem pelo caminho. Mea culpa, eu sou uma delas.
Eu tenho um trabalho extremamente estressante, que me exaure física e emocionalmente. Tenho 25 anos, bom senso de humor, sou articulada, consigo desenvolver um diálogo a respeito de quase tudo que se imaginar, bem estruturada financeiramente e bem encaminhada profissionalmente, em outras palavras, se eu fosse homem eu me pedia em casamento, mas antes que eu me mate de rir com a descrição que fiz de mim (propaganda é a alma do negócio), lembro que eu não chego a dar a ninguém a chance de transpor a barreira que eu coloquei ao meu redor, com a inaptidão notória que adquiri para engolir sapos, desenvolvida em função de ter uma vida atribulada e querer um refúgio para o caos do meu cotidiano.
Assim, faço uma analogia entre minha vida afetiva e minha vida profissional. Logo que comecei a trabalhar, no primeiro ano da faculdade, estava com uns 19 anos e passei um ano trabalhando num escritório como assistente financeira e depois que saí de lá rodei vários empregos a fio, entrando em um e saindo de outro quase que simultaneamente. Naquela época eu tinha um namorado que ficava doido da vida com a minha atitude e acahava que eu deveria criar raiz em algum lugar, no entanto eu pensava diferente, e decidi que a minha hora de errar, de me arriscar, de ousar querer algo melhor era aquela, ao invés de me agarrar em qualquer empreguinho e um belo dia não podendo mais contar com o mesmo, ter que me contentar com qualquer coisa em função de não ser mais competitiva para o mercado de trabalho. Enfim, os anos passaram, o namoro evidentemente não durou, eu me estabilizei profissionalmente, porém, transferi o racícinio lógico que eu tinha em relação à minha vida profissional pra minha vida afetiva. Acho que há pelo menos uns dois anos meus relacionamentos não duram mais que três ou quatro meses, parece contrato temporário ou período de experiência. Quando chegamos a fase dos conflitos, eu aturo uma, duas, no máximo três, a partir daí é rua, sem chances de recontratação. Há muito tempo atrás eu já tive experiências de namoros longos, quatro anos, dois anos, um ano. Depois disso minha tolerância foi se dissipando no vento. Talvez seja uma coisa minha, sei lá. Uma das coisas que aprendi sobre mim mesma com os meu namoros mais longos foi que eu definitivamente não preciso de muito tempo pra saber se quero ficar ao lado de alguém a longo prazo ou não e talvez por isso eu seja absolutamente contra namoros que duram anos a fio. Talvez hoje seja esse o meu medo e a cerne da minha intolerância, o receio de me dedicar anos a fio a um relacionamento que não dê em nada e depois de anos me dedicando a uma pessoa que não me levou a lugar nenhum, acabar me contentando com o primeiro que aparecer na minha frente por não me sentir competitiva no mercado amoroso. Essa é a minha opinião, podem discordar se quiserem. Sou assim porque tudo que vivi até hoje me levou a pensar dessa forma, além da certeza de que meu amor próprio e minha sanidade mental não tem preço. Não consigo me imaginar sábado à noite desesperada ao lado do telefone esperando por alguém ou dando pití de doida porque o cara teve um compromisso com a família, resolveu ficar com amigos, ou simplesmente estava cansado e quis ficar em casa. Cuido eu da minha vida, e gostaria de me ver num relacionamento onde cada um pudesse ser livre pra caminhar na direção que quisesse, sem cobrança, sem obrigatoriedades (veja bem, não estou falando de relacionamento aberto, afinal, egoísta e ciumenta como eu sou, não gosto de dividir nada com ninguém, principalmente homem), quero alguém que esteja comigo na minha presença ou na minha ausência, sem que isso signifique que alguém tem que se anular. Será que o que eu quero é tão utópico assim? Acho melhor continuar correndo no bosque à procura dos unicórnios, pois hoje em dia, por incrível que pareça, está mais fácil encontrar pelo caminho um príncipe encantado que vai fatalmente virar sapo no dia seguinte, do que ser encontrada pelo lobo mau, que além de me enxergar melhor e me ouvir melhor, de quebra ainda me come. Simples assim.

terça-feira, 9 de março de 2010

Bizarrices à parte...

O que eu preciso fazer pra conhecer alguém normal? O que eu preciso fazer pra conhecer alguém que agregue valores diferentes dos meus, embora no mesmo padrão? Confesso que ultimamente estou sentindo até um certo medo em sair de casa e freqüentar os lugares ditos “pra se divertir e conhecer gente nova”. As baladas não se tornaram nada mais do que pequenas lojas dos horrores, com uma alta circulação de homens insensíveis e mulheres vulgares. Constatação esta que foi bastante triste pra mim, que particularmente amo dançar, brincar e logo, sempre adorei uma boa balada.
No entanto isso entra em absoluta dissonância do fato que já mencionei antes que é o meu desejo de conhecer alguém realmente interessante, não pensem que estou falando de um príncipe encantado me resgatando num cavalo branco a fim de sermos felizes para sempre, até mesmo porque não tendo eu muita vocação pra Cinderela, gostaria mais de ser arrebatada pelo Lobo Mau, sob a certeza reconfortante de saber que ele não vai virar sapo de uma hora pra outra.
A questão é, em quais lugares eu posso encontrar pessoas legais, normais , tudo bem, sei que, olhando de perto ninguém é normal, mas convidar uma pessoa que você nunca viu mais loira pra compor um ménage à trois, ou sair dando abraço coletivo, tirando a camisa pra chamar atenção, ou medir de cima a baixo uma mulher estando de mãos dadas com outra chega a ser no mínimo repulsivo (ilustrando tardiamente a minha colocação sobre a pequena loja dos horrores, pois se existem homens insensíveis a ponto de agir dessa forma é porque sem dúvida encontram pelo caminho mulheres vulgares o bastante pra não protestar contra e topar tudo numa boa).
Pode ser que eu esteja exagerando, mas se esse é o meu ponto de vista, e eu não estou disposta a baixar o meu padrão e me colocar no mesmo patamar que o restante da manada simplesmente pra não ficar sozinha. Tudo bem que cada um sabe bem seu calo onde aperta como já diz minha mãe, mas sob a minha ótica prefiro ficar sozinha a mendigar carinho e atenção imaginado que o cara do outro lado vai olhar pra mim e ver que sou a mulher da vida dele. E quando a vontade apertar insuportavelmente, que eu pelo menos tenha consciência de que não se trata de uma via de mão dupla.