quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

...mas vai passar!

Ok crianças, sei que o excesso de trabalho que costumo ter nessa época do ano não é desculpa para a minha ausência, mas o fato é que algumas coisas aconteceram nesse período e ainda as estou digerindo, a fim de chegar a uma conclusão acerca do assunto que fatalmente será compartilhada através deste singelo instrumento através do qual a vocês humildemente me dirijo.
Mas, pegando gancho na minha falta de inspiração, discorramos sobre um tema com a qual me deparei recentemente, ou melhor, apenas recentemente me dei conta dessa funcionalidade lógica de sentimentos confusos e desalinhados.
Independente da idade, profissão, classe social, grau de instrução, etnia, enfim, levar um pé na bunda dói. Se você gosta do cara, dói mais a saudade e falta que ele vai te fazer e que você sabe que vai ter que superar, do que o seu amor próprio. Agora se o fulano partilha da mesma insignificância que um figurante do Zorra Total, esteja certa de que suas vísceras vão se corroer durante muito tempo de remorso por não ter chutado ele feito um saco de batatas antes dele ter feito isso com você, e nesse caso só o seu amor próprio vai doer, afinal amor por ele você não tinha nenhum mesmo.
E esse pé na bunda pode chegar a você em diferentes formatos. Um belo dia o sujeito resolve que não vai dar mais certo, que é melhor que vocês sejam amigos, que não rola química, enfim, plenamente normal e aceitável, afinal de contas, ninguém é obrigado a permanecer ao lado de outra pessoa sem estar se sentindo confortável com isso.Tudo certo, exceto pelo fato que ele simplesmente não te participa dessa decisão e nesse caso, somente com o auxílio dos mais úteis serviços prestados pelos espaços de inutilidades diversas existentes na internet (MSN, Orkut, facebook, my space, entre outros), você conclui que o sujeito está vivo devido a todas as fotos postadas por ele, que foram tiradas em eventos ocorridos após o último encontro de vocês, para os quais você evidentemente não foi convidada. Nesse caso o processo de luto só tem dois estágios, a revolta (momento este em que você vai mirabolar planos infalíveis para mostrar o mulherão que ele perdeu, chegando possivelmente a cogitar a hipótese de riscar “cafajeste” no capô do carro dele com a unha) e o de aceitação (aí você própria já terá adquirido consciência de que é mulher demais pra ele e por fim coloca nele um rótulo de cafajeste e manda pra estante dos fundos). Temos também o pé na bunda presencial, que a priori pode ser mais impactante, mas que na minha opinião, permite uma assimilação melhor dos fatos e de repente, oferece até a oportunidade de saber onde podemos ter falhado em algum momento, a fim de melhorar como pessoa e crescer com a situação. Nesse caso o processo de luto não costuma pular etapas, a gente se revolta, entristece, assimila, aceita e por fim vira a página e segue a diante.
Em algumas ocasiões, assim como o pós venda, temos o “pós toco”, que é uma etapa independente do processo de luto pela qual algumas mulheres fatalmente acabam passando, e o exemplo mais clássico nesse caso é de a bicha saber que nem ela mesma quer mais o fulano, mas ainda assim quer que ele a queira, nem que seja por um momento apenas, para que ela dê o troco, finalizando assim o complexo processo de reconstrução emocional. Normalmente esse tipo de fato tende a ocorrer depois de atravessado todo o processo de luto, depois que o pé na bunda já foi assimilado e aceito, sendo assim, o insucesso da operação não tenderá a deixar marcas muito profundas, apenas o remorso quem sabe por não ter usado aquele perfume que julgava-se ser tiro e queda pra prostrá-lo a seus pés.
Fora esses que mencionei existem diversos outros tipos e vertentes de pés na bunda, tocos e afins, mas numa outra ocasião quem sabe nos aprofundemos mais no assunto. Por enquanto encerro aqui.

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