terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A dois passos do paraíso...

Cada pessoa que passa pela nossa vida é única e invariavelmente deixará um pouco de si e levará um pouco de nós consigo. E não adianta tentar comparar, escolher entre umas e outras.
Numa determinada ocasião resolvi brincar com o meu próprio coração e tentei reunir num mesmo local algumas pessoas que passaram pela minha vida, que levaram um pouco de mim (espero) e deixaram um pouco de si, imaginando que se estivesse frente a frente com todos eu conseguiria definir quem deixou uma parcela de si mais significativa como herança. E graças ao bom Deus, meus planos minguaram, graças ao bom Deus sim, pois nessa de querer ver o circo pegar fogo com todos os palhaços dentro, esqueci a possibilidade de só eu sair realmente queimada nessa história.
Mas como a vida, essa sim meus amigos, é uma caixinha de surpresas, eu tive a oportunidade de viver uma experiência bastante peculiar, que me fez concluir que cada um é o que é e causa diferentes reações nas pessoas. É muita infantilidade imaginar que podemos comparar as pessoas como se fossem peças penduradas num cabide a serem escolhidas, pois até mesmo as peças que estão penduradas no cabide nos causam diferentes impressões, uma pode nos deixar mais magra, outra mais alta, outra mais sexy, depende então daquilo que se quer transmitir. No entanto, quando se trata de pessoas é um pouquinho diferente, pois a coisa passa a depender daquilo que o outro desperta em você em relação ao seu estado de espírito, ao momento da vida que você atravessa, e o que quer pra sua vida.
Como eu já disse anteriormente e repito, sentimentos são ambíguos, voláteis e traiçoeiros, podendo fazer dentro de nós que num mesmo dia tenhamos sol e tempestades, flores coloridas e frondosas ou folhas secas pelo caminho, só sobrando depois o calor na pele, o frescor úmido, ou um aroma que nos remeta a um lugar do nosso passado que embora muitas vezes tenhamos uma certa saudade, temos a consciência plena de já não querermos voltar lá.
È isso aí, último post do ano. Juro que gostaria de ter sido um pouco mais suave e menos filosófica, mas 2010 promete, muitas realizações, muitos amores e consequentemente, muito APRENDIZADO pra todos.
Um grande abraço e até janeiro!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

...mas vai passar!

Ok crianças, sei que o excesso de trabalho que costumo ter nessa época do ano não é desculpa para a minha ausência, mas o fato é que algumas coisas aconteceram nesse período e ainda as estou digerindo, a fim de chegar a uma conclusão acerca do assunto que fatalmente será compartilhada através deste singelo instrumento através do qual a vocês humildemente me dirijo.
Mas, pegando gancho na minha falta de inspiração, discorramos sobre um tema com a qual me deparei recentemente, ou melhor, apenas recentemente me dei conta dessa funcionalidade lógica de sentimentos confusos e desalinhados.
Independente da idade, profissão, classe social, grau de instrução, etnia, enfim, levar um pé na bunda dói. Se você gosta do cara, dói mais a saudade e falta que ele vai te fazer e que você sabe que vai ter que superar, do que o seu amor próprio. Agora se o fulano partilha da mesma insignificância que um figurante do Zorra Total, esteja certa de que suas vísceras vão se corroer durante muito tempo de remorso por não ter chutado ele feito um saco de batatas antes dele ter feito isso com você, e nesse caso só o seu amor próprio vai doer, afinal amor por ele você não tinha nenhum mesmo.
E esse pé na bunda pode chegar a você em diferentes formatos. Um belo dia o sujeito resolve que não vai dar mais certo, que é melhor que vocês sejam amigos, que não rola química, enfim, plenamente normal e aceitável, afinal de contas, ninguém é obrigado a permanecer ao lado de outra pessoa sem estar se sentindo confortável com isso.Tudo certo, exceto pelo fato que ele simplesmente não te participa dessa decisão e nesse caso, somente com o auxílio dos mais úteis serviços prestados pelos espaços de inutilidades diversas existentes na internet (MSN, Orkut, facebook, my space, entre outros), você conclui que o sujeito está vivo devido a todas as fotos postadas por ele, que foram tiradas em eventos ocorridos após o último encontro de vocês, para os quais você evidentemente não foi convidada. Nesse caso o processo de luto só tem dois estágios, a revolta (momento este em que você vai mirabolar planos infalíveis para mostrar o mulherão que ele perdeu, chegando possivelmente a cogitar a hipótese de riscar “cafajeste” no capô do carro dele com a unha) e o de aceitação (aí você própria já terá adquirido consciência de que é mulher demais pra ele e por fim coloca nele um rótulo de cafajeste e manda pra estante dos fundos). Temos também o pé na bunda presencial, que a priori pode ser mais impactante, mas que na minha opinião, permite uma assimilação melhor dos fatos e de repente, oferece até a oportunidade de saber onde podemos ter falhado em algum momento, a fim de melhorar como pessoa e crescer com a situação. Nesse caso o processo de luto não costuma pular etapas, a gente se revolta, entristece, assimila, aceita e por fim vira a página e segue a diante.
Em algumas ocasiões, assim como o pós venda, temos o “pós toco”, que é uma etapa independente do processo de luto pela qual algumas mulheres fatalmente acabam passando, e o exemplo mais clássico nesse caso é de a bicha saber que nem ela mesma quer mais o fulano, mas ainda assim quer que ele a queira, nem que seja por um momento apenas, para que ela dê o troco, finalizando assim o complexo processo de reconstrução emocional. Normalmente esse tipo de fato tende a ocorrer depois de atravessado todo o processo de luto, depois que o pé na bunda já foi assimilado e aceito, sendo assim, o insucesso da operação não tenderá a deixar marcas muito profundas, apenas o remorso quem sabe por não ter usado aquele perfume que julgava-se ser tiro e queda pra prostrá-lo a seus pés.
Fora esses que mencionei existem diversos outros tipos e vertentes de pés na bunda, tocos e afins, mas numa outra ocasião quem sabe nos aprofundemos mais no assunto. Por enquanto encerro aqui.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Grandeza e um pouco de coragem

Muito cuidado ao decidir levar a diante um relacionamento com uma pessoa que não tem absolutamente nada a ver com você. Parafraseando Cazuza, também acho que quem não sabe amar fica esperando alguém que caiba no seu sonho, e aí acaba morrendo duro e seco, porque no final das contas ninguém nunca vai se encaixar perfeitamente nesse modelo que você criou na sua cabeça desde os dez anos de idade. Conforme os anos vão passando a gente percebe que de todas as qualidades que desejamos numa pessoa, se encontrarmos por ventura alguém que delas possua pelo menos duas maravilha, agora se de repente possuir três ou mais, segura e não deixa escapar minha filha, que o que você encontrou é mais difícil que bilhete premiado da mega sena. Mas do mesmo jeito que tem gente que um belo dia descobre que o príncipe encantado não existe, e aceita o fato de que ainda vai ter que engolir muito sapo até encontrar alguém que valha a pena de verdade, tem gente que sonha eternamente com o sapatinho de cristal, embora no final das contas a abóbora nunca vire carruagem.
Só que nessa resignação de deglutir os batráquios que fortuitamente a vida nos oferece, aceitamos dar uma chance a algumas pessoas que surgem pelo caminho, na esperança de que a fada madrinha tenha descoberto enfim o nosso endereço. Mas aconteceu que vocês não tinham nada a ver um com o outro e isso foi visível logo à primeira vista. Mas ainda assim, contrariando todos os princípios que você colocou pra si mesma, sabe-se lá por qual razão, ainda assim você decidiu dar mais um passo a diante. Porque você já estava sozinha há algum tempo. Porque parecia legal a possibilidade de ter alguém com quem dividir uma pizza, ir ao cinema e fazer sexo de vez em quando. Porque independente de quem quer que fosse, era muito boa a sensação de saber que tinha alguém interessado de verdade em você, alguém cujo esforço feito para estar perto de você era visível. E foi isso que no final das contas te levou a dar mais um passo, seguido de outro e mais outro e mais outro, mesmo tendo certeza a vistos olhos de que vocês continuavam não tendo nada a ver um com o outro. E foi nesse momento que você teve a certeza de que as melhores e mais belas coisas da vida não podem ser vistas ou tocadas, apenas sentidas. E agora que ele já não faz mais parte da sua vida, de vez em quando, naquelas noites de tempestade em que se sentir mais sozinha, você vai fechar os olhos e tentar sentir mais uma vez o cheiro dele, sentir o gosto da boca dele na sua, vai tentar lembrar de como era bom sentir o calor do corpo dele aquecendo o seu. Mas no final das contas a chuva passar e na manhã seguinte você vai enfiar a cabeça embaixo do chuveiro, montar no seu salto e sair pra mais um dia de luta, porque ele já não faz mais parte da sua vida.
Mas o pântano está cheio de sapos a espera de um beijo para enfim se tornarem príncipes, sendo assim você segue fingindo que tudo que você sente não existe, ou pelo menos não tem tanta relevância assim, e decide que as razões que você considerava palpáveis para não levar aquele relacionamento a diante eram mais contundentes em relação ao fato de você ter a certeza de que aquele sujeito fez nascer de novo uma parte de você que há muito tempo havia morrido. Mas você vai seguir em frente e procurar várias coisas pra preencher o vazio que sente, vai fazer todos os esforços possíveis e imagináveis para que absolutamente ninguém no mundo sequer desconfie que você ama alguém que não cabe no seu sonho.