sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Troféu ou não, eis a questão...

Numa divertida e pacífica discussão entre amigas, de um lado, uma afirma que sexo não é prêmio e o corpo, para ser mais delicada, não é troféu, enquanto a outra discorda parcialmente. Mas o fato é que, quando se trata de relações amorosas entre homens e mulheres, ou entre homens e homens, mulheres e mulheres, depende do gosto do freguês, não dá pra restringir a coisa a preto ou branco, pois existem diferentes nuances de cinza entre um e outro.
Concordo em gênero, número e grau, que não é a incidência de sexo ou não no ínicio do relacionamento que vai determinar o tipo de relação que será desenvolvida dali por diante, mas sim a forma como duas pessoas chegam a esse ponto. Acompanha meu raciocínio. Você está saindo com um cara há algum tempo com uma certa freqüência, ele te procura regularmente e mostra certo interesse pelo que se passa na sua vida. E mesmo que ele ainda não tenha ajoelhado aos seus pés no meio de um jantar à luz de velas dizendo que você é a mulher com a qual ele sempre sonhou, te pedindo oficialmente em namoro para que vocês enfim vivam felizes para sempre, mesmo que o para sempre seja só até a página cinco, você consegue visualizar claramente o interesse dele por você e se sente confortável nessa relação, a ponto de dar esse passo, ou em outras palavras, repetindo uma metáfora que usei num post passado, sente-se à vontade para passar de fase nesse jogo, elevando assim o nível de envolvimento e intimidade. Agora o outro lado da moeda. Você tem um amigo “colorido”, eventualmente se encontram em programas que são combinados por intermédio de amigos em comum, só se vêem às vezes, mas nesse às vezes sempre rolam uns beijos, uns carinhos e o máximo que vocês conversam a respeito da vida é dito no trajeto entre a balada e sua casa, ou a dele, pois alguém vai estar dirigindo, o que os impossibilita temporariamente de se engalfinharem. Até que um belo dia rola um convite pra subir, conhecer o apartamento, tomar alguma coisa, ou ainda, decidem ir para um lugar “mais calmo”. Resumindo, rola. E aí mora o perigo. Como vocês se pegam com certa freqüência, se a primeira vez for boa, as chances de rolar outras vezes são grandes, e justamente por vocês se pagarem com relativa freqüência, se houver incidência de outros eventos envolvendo sexo, é triste o que vou te falar, mas por mais que você esteja se sentindo segura de si e jure que não vai se apaixonar, que curte a relação como está, invariavelmente vai começar a fazer correlações sem pé nem cabeça e inconscientemente começar a achar que está vivendo uma história, onde na verdade os sentimentos dele por você serão nada mais que reflexos dos seus sentimentos por ele, daí pra ir do inconsciente pro consciente é um pulo e quando menos se esperar você se verá promovendo uma DR, onde o R efetivamente nunca existiu. Daí pra frente meu bem, só tragédia.
Sendo assim, por mais dona de mim que eu me sinta, mais importante do que ter absoluta certeza daquilo que eu quero do outro, devo estar mais certa ainda daquilo que eu quero para mim, pois por mais que a gente acredite que consegue controlar o que sente, acredite em mim, isso é completamente utópico. Não é o sentimento que devemos nos preocupar em controlar, mas as atitudes que ele pode nos levar a tomar.
Se a sua vibe é curtir o momento sem pensar no depois, ótimo, se joga. Se estiver com vontade de se envolver efetivamente com alguém, não invista em relacionamentos com pessoas que evidentemente não querem a mesma coisa que você. Não adianta nada eu dar murro em ponta de faca e tentar enfiar na cabeça de um cara que está caído na gandaia sem mostrar indícios de desejo de se levantar que eu sou a mulher da vida dele, não vai adiantar nada, ele vai me pegar algumas vezes, me mandar passear e talvez quando ele mudar de idéia me chame de volta. Ou ainda eu acreditar que enquanto não encontro o homem certo devo me divertir com o errado, pois as chances do errado se acertar são muito remotas caso eu decida mudar a regra do jogo com a bola rolando. Não é impossível que de repente duas pessoas que se consideravam desencanadas se descubram realmente envolvidas uma com a outra a ponto de se comprometerem efetivamente, ou ainda duas pessoas que tinham por intenção comum entrar de cabeça num relacionamento sério perceberem que não era bem isso o que queriam da vida e sem ressentimentos seguirem por caminhos diferentes. Mas em ambos os casos, a chave do sucesso é a sintonia e na verdade é isso que deveríamos procurar não uma determinada pessoa com determinadas qualidades e defeitos que possamos suportar, mas alguém com quem, mesmo que por um breve momento, possamos olhar na mesma direção.

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