Sempre que terminamos um relacionamento, amigos e conhecidos em geral costumam proferir determinadas frases para levantar nossa auto-estima e nosso moral, tais como “Homem é que nem biscoito filha, vai um e vêm oito.” (Há quem diga dezoito ao invés de oito, mas isso depende do grau de otimismo, ou da falta de noção do locutor), ou ainda “Meu bem, agora é fila andando e catraca seletiva.” e também a mais célebre e objetiva de todas na minha opinião “Vira a página!”. Pois bem, uma das muitas coisas que aprendi pelo meio do caminho é que têm páginas que a gente vira, assim como têm páginas que a gente arranca do livro. Sim, arrancar. Pois o fato de arrancar uma página implica em eliminar todos ou pelo menos o maior número possível de correlações daquela passagem da nossa história, consistindo muitas vezes em abandonar certos hábitos, cortar relações com determinadas pessoas, deixar de freqüentar determinados lugares, enfim, converter o rumo da nossa história por um caminho onde embora não impossíveis, as chances de uma confluência entre os dois destinos sejam pelo menos mais remotas.
Mas nem sempre precisamos adotar atitudes tão dramáticas. Por vezes vivemos histórias que mesmo tendo chegado ao final não deixam cicatrizes profundas e dolorosas, mas marcas que simplesmente farão parte da nossa vida e contribuirão para a formação da nova pessoa que seremos dali por diante. Eu digo uma nova pessoa por acreditar que cada um que passa pela nossa vida deixa sim um pouco, ou muito de si e leva um pouco, ou muito de nós. Sendo assim afirmo com absoluta certeza, que ao final de cada relacionamento que vivemos descobrimos uma nova pessoa que nasce dentro da gente. Algumas vezes perdemos o fio da meada, aí entramos numa nova jornada em busca de conhecer essa nova pessoa que nos tornamos afinal, do que gostamos, o que queremos, o que esperamos dos outros e de nós mesmos.
No entanto existem implicações nesse simples “virar a página”, algo que a grande maioria das pessoas não leva em conta e que eu mesma não levava até pouco tempo atrás. Quando simplesmente viramos a página, estamos automaticamente suscetíveis à qualquer brisa que nos remeta novamente àquela passagem singular da nossa história. Eu não estou me referindo aos famosos “remembers” a que muitos se referem, que para quem ainda não sabe consistem num reencontro entre ex namorados, ficantes ou enroscados, sob a desculpa de “matar a saudade” ou celebrar os velhos tempos. Nesse caso abro mea culpa, pois já celebrei esse tipo de reencontro, sem medo de ser feliz. Mas recentemente vivi um tipo de remember que eu até então desconhecia, que foi o reencontro não como uma pessoa em si, mas com o sentimento que eu nutri por essa pessoa. Quem já viveu esse tipo de experiência entende do que estou falando. Eu simplesmente entrei em órbita, e ao contrário do que parecia eu não fui para muito longe, eu estava sim muito dentro de mim, como naquelas tardes preguiçosas de domingo em que a gente resolve bisbilhotar as caixas de fotografias da família, relembrando datas, fatos e pessoas, momentos únicos em que a gente se desliga do resto do mundo e quase esquece do que acontece ao redor, naquela hora eu estava bisbilhotando as minhas caixas de fotografias emocionais, os momentos, datas e fatos que aos quais aquele determinado individuo me remeteu naquele instante.
Sentimentos são traiçoeiros, ambíguos e voláteis. São como grãos de areia bem finos na palma da mão. Por mais que a gente tente se livrar deles atirando-os longe e tentando esfregar uma mão na outra, sempre ficam resquícios daquela areia que tentamos reter e ainda pequenos arranhões que vão arder e causar um pequeno ou grande incomodo, mesmo que por pouco tempo. O jeito é andar contra o vento e deixar que ele traga consigo novos grãos de areia que se sobreponham aos resquícios que invariavelmente ficarão presos entre nossos dedos.
Mas nem sempre precisamos adotar atitudes tão dramáticas. Por vezes vivemos histórias que mesmo tendo chegado ao final não deixam cicatrizes profundas e dolorosas, mas marcas que simplesmente farão parte da nossa vida e contribuirão para a formação da nova pessoa que seremos dali por diante. Eu digo uma nova pessoa por acreditar que cada um que passa pela nossa vida deixa sim um pouco, ou muito de si e leva um pouco, ou muito de nós. Sendo assim afirmo com absoluta certeza, que ao final de cada relacionamento que vivemos descobrimos uma nova pessoa que nasce dentro da gente. Algumas vezes perdemos o fio da meada, aí entramos numa nova jornada em busca de conhecer essa nova pessoa que nos tornamos afinal, do que gostamos, o que queremos, o que esperamos dos outros e de nós mesmos.
No entanto existem implicações nesse simples “virar a página”, algo que a grande maioria das pessoas não leva em conta e que eu mesma não levava até pouco tempo atrás. Quando simplesmente viramos a página, estamos automaticamente suscetíveis à qualquer brisa que nos remeta novamente àquela passagem singular da nossa história. Eu não estou me referindo aos famosos “remembers” a que muitos se referem, que para quem ainda não sabe consistem num reencontro entre ex namorados, ficantes ou enroscados, sob a desculpa de “matar a saudade” ou celebrar os velhos tempos. Nesse caso abro mea culpa, pois já celebrei esse tipo de reencontro, sem medo de ser feliz. Mas recentemente vivi um tipo de remember que eu até então desconhecia, que foi o reencontro não como uma pessoa em si, mas com o sentimento que eu nutri por essa pessoa. Quem já viveu esse tipo de experiência entende do que estou falando. Eu simplesmente entrei em órbita, e ao contrário do que parecia eu não fui para muito longe, eu estava sim muito dentro de mim, como naquelas tardes preguiçosas de domingo em que a gente resolve bisbilhotar as caixas de fotografias da família, relembrando datas, fatos e pessoas, momentos únicos em que a gente se desliga do resto do mundo e quase esquece do que acontece ao redor, naquela hora eu estava bisbilhotando as minhas caixas de fotografias emocionais, os momentos, datas e fatos que aos quais aquele determinado individuo me remeteu naquele instante.
Sentimentos são traiçoeiros, ambíguos e voláteis. São como grãos de areia bem finos na palma da mão. Por mais que a gente tente se livrar deles atirando-os longe e tentando esfregar uma mão na outra, sempre ficam resquícios daquela areia que tentamos reter e ainda pequenos arranhões que vão arder e causar um pequeno ou grande incomodo, mesmo que por pouco tempo. O jeito é andar contra o vento e deixar que ele traga consigo novos grãos de areia que se sobreponham aos resquícios que invariavelmente ficarão presos entre nossos dedos.
Ê Laiaaaa... que grão de areia!!!
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