sábado, 26 de fevereiro de 2011

Dois lados da mesma viagem

Pensei em desistir, cheguei a abandonar. Mas voltei. Voltei pois concluí que já não tenho espaço para armazenar meus pensamentos dentro de mim e escrever foi desde sempre a forma que encontrei de manter meu estoque quase inesgotável de idéias atualizado. E foi por essa e por outras razões que decidi voltar.
Foi um longo e tenebroso inverno, uma não tão florida primavera e um interminável e escaldante verão. Alguns entraram e saíram de cena, uns voltaram pro palco e para outros o espetáculo terminou cedo demais. Tivemos algumas participações especiais nessa temporada, e outras não tão especiais assim. Sem dúvidas uma temporada repleta de encontros e desencontros, chegadas e partidas. Teve gente que voltou pro lugar de onde nunca deveria ter saído. Teve gente que teve que ir embora sem saber a dimensão da importância que tinha e sempre terá no conjunto da obra.
Uma temporada de grandes emoções e grandes aprendizados, embora alguns atos não tenham sido aclamados pelo público ou pela crítica. E cada personagem tem uma moral pra sua história dentro do mesmo contexto, onde nem tudo é o que parece e nem tudo que parece ser de fato o é. E antes que eu me esqueça, viva o efeito estilingue, comprovando a tese de que tudo aquilo que vai invariavelmente volta, seja no formato de uma certeza absoluta ou de uma dúvida cruel. E pra quem acreditava que o castigo vinha só a cavalo, hoje ele pode chegar por recado no Orkut ou torpedo SMS.
Foi tempo de descobrir que no mesmo espetáculo posso desempenhar vários personagens diferentes e que ser mocinha e vilã ao mesmo tempo pode até ser divertido, tempo de descobrir que às vezes a força está aonde a gente nem se lembra que guardou, mas que consegue encontrá-la na hora em que a gente menos espera e mais precisa dela, depois haja pulinhos e gritinhos pra agradecer a graça alcançada a São Longuinho.
E se é verdade que de médico e louco todo mundo tem um pouco, chega uma hora em que se deve parar e organizar as “emopatias” angariadas pelo caminho e tentar tratar primeiro das nossas próprias dores e delicias, pois embora o complexo de tartaruga seja grande às vezes carregar o mundo inteiro nas costas pode ser pesado demais. Aprender a lidar com os próprios fantasmas, assumir os riscos apesar do medo e porque não vencer o medo, ou pelo menos lutar contra ele, simplesmente deixando de alimentar o monstro nosso de cada dia. Chega uma determinada hora na vida em que percebemos que não ter certeza absoluta sempre é o grande barato da coisa e num belo e dado momento a única escolha que temos é nos jogar de cabeça simplesmente torcendo pra que haja alguém que nos segure caso não haja uma rede de proteção pra amortecer a queda.
Resumindo a ópera, como sempre o show continua e a vida segue, porém agora sob um céu mais estrelado e por uma estrada um pouco menos colorida.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite... ou não.

São quase uma da manhã, 00:58 pra ser mais exata, minto 00:59. Entre o sono profundo e a balada minha família está a léguas daqui nesse momento, sendo assim, estou tecnicamente sozinha em casa. Sozinha num sábado à noite. Parece pesado, de fato já me pareceu um dia, desesperador eu diria, mas hoje não. As formas de subornar a mim mesma, outrora tão utilizadas, parecem já não me agregar mais valor real. Não sei se de fato toda aquela parafernália de maquiagem, salto alto, som alto e diversos elementos suspeitos em elevado grau etílico me cercando, de fato eram um suborno, ou simplesmente uma forma de me esconder de mim mesma.
Uma vez, há muito tempo atrás, muito mesmo, quando eu era bem novinha eu me encantei com alguém. Naquela época eu não tinha discernimento, ou base de comparação, pra poder entender ao certo o que eu estava sentindo. Só sei que esse encantamento virou amor, sim amor, e perdura até hoje, só o que eu não entendia é que aquela intensidade de amor não era o bastante, pelo menos não pra mim e descobri isso após ser acometida por uma “paixonite”, que nada mais é do que uma sub paixão, ou uma quase paixão, como queira. E assim como o vento, que apaga as velas e acende as fogueiras (bonito isso, li em algum lugar) a distância se encarregou de fazer o serviço sujo e evidentemente, tudo não passou de uma breve palpitação. Algum tempo passado, o vento voltou balançar as folhas nas bandas de cá. Aprendi que quando se ama não se aceita tudo que o outro nos oferta, aliás, desconfio de que onde se diz sim a tudo haja falta de amor, talvez o mais essencial de todos, o amor próprio. Mas aprendi também que a paixão causa cegueira absoluta e por tempo indeterminado. E por pior que tenha sido, por mais dolorido que tenha sido boa parte do decorrer e principalmente o desfecho da ópera, jamais duvidei de que aquele sentimento que conheci naquela determinada circunstância era a tal da paixão, a legítima.
O amor é um só. Discordo terminantemente de que existam diferentes categorias do mesmo, como amor materno, paterno, fraterno... São diferente intensidades, mas a essência é a mesma, única, imutável. O amor agrega a admiração, o respeito, a consideração, de uma maneira genuína e espontânea, não por medo ou por qualquer tipo de obrigatoriedade. O amor é construído, às vezes depressa, às vezes devagar, mas ele tem fundamento, solidez. O amor não acontece simplesmente, ao contrário das paixões, que chegam sem avisar, entram sem pedir licença e se instalam sem solicitar a autorização do hospedeiro. São errantes e invadem sem dó e com requintes de crueldade, transformando solo sagrado em campo minado. Mas quando se encontram, amores e paixões, são incríveis, imprescindíveis, quase invencíveis. Por mais que nos apaixonemos subitamente por alguém, é extremamente difícil manter essa emoção de forma linear sem a plenitude do amor.
Por vezes amamos alguém, embora não tenhamos paixão pelo mesmo, ou não tenhamos mais. Por outro lado, às vezes somos acometidos por uma paixão nocauteante, mas não chegamos a desenvolver amor, ou ele simplesmente ainda não amadureceu. Mas entre uma coisa e outra, o mais importante é o amor que desenvolvemos por nós mesmos, a forma de nos conhecer profundamente, saber quem realmente somos, o que gostamos, o que queremos, de encontrar nosso lugar no mundo. E ninguém no mundo jamais estará pronto para amar ou ser amado enquanto não desenvolver uma relação intima e profunda de respeito e admiração consigo próprio. Raciocínio narcisista o meu? Até pode ser, dependendo do ponto de vista. E daí? Pelo menos eu me dei a chance de me conhecer, de entender que por várias vezes é muito melhor ter uma conversa inteligente e amigos em quem se possa confiar ao invés de gastar uma grana obscena para estar rodeada de gente vazia e beijar umas bocas repetidas com o simples objetivo de tentar não lembrar daquilo que quero esquecer, tendo a divina oportunidade de entender que muitas vezes ficar sozinha em casa num sábado à noite não é uma forma de me esconder do resto do mundo mas de me mostrar de verdade, nem que seja apenas pra mim mesma.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Desejos e delírios... e vontades!

Estava eu aqui me perguntando, qual é afinal a diferença entre desejo e vontade. Ao consultar o dicionário, tive a seguinte constatação:
Desejo
s.m. Vontade de possuir ou fazer algo. / Apetite sexual. / Anseio, ambição.
Vontade
s.f. Nome dado à capacidade de uma pessoa agir com intencionalidade definida. &151; Quando se acende a luz para ver o que se passa na sala, diz-se que a pessoa que age dessa maneira desejou, empenhou sua vontade, na ação. Este tipo de ação é chamado voluntário. Mas, quando a pessoa pisca os olhos diante de um foco de luz, este ato não é desejado, não é um produto da vontade, e é chamado involuntário.
Engraçado que etimologicamente falando, a vontade parece ser muito mais objetiva que o desejo e eu, sempre acreditei que o desejo fosse muito mais forte que a vontade, até porque, por várias vezes ouvi a frase “Vontade é que coisa que dá e passa, fica quietinha e espera um pouco que ela vai embora.”. Mentira!!! Se eu estou com vontade de comer chocolate, minha vontade só vai passar quando eu enfim comer o bendito chocolate. Sempre acreditei que o desejo era mais específico, mais real, no entanto, analisando mais atentamente, embora ambos sejam intangíveis, o desejo é mais abstrato e a vontade mais concreta. Desejo é idealização de um sonho, de um sentimento, ao passo que a vontade é a força que nos impulsiona a fazer por onde os sonhos se tornem reais.
Meus desejos têm sido muito cruéis comigo, me fazendo idealizar uma vida que eu talvez nunca chegue a viver, ao passo que minha vontade é traiçoeira, fazendo com que eu me permita a usufruir de pequenas amostras de ilusão, que alimentam cada vez mais meu desejo, conseqüentemente aumentam minha vontade e me fazem entrar num círculo vicioso que eu já não sei como fazer pra interromper, ou melhor dizendo, que eu nem sei se quero de fato interromper.
Estranho como ás vezes a vida nos coloca diante de situações com as quais temos que aprender algo, a questão é, aprender o que?. Quem sabe aprender a exercitar o desapego, já que sempre fui extremamente possessiva e ciumenta. Ou ainda, aprender que talvez nem tudo que é proibido é mais gostoso (quanto a essa dispenso comentários). Ou talvez simplesmente precise aprender que se vive um dia de cada vez, e ao contrário de estar sempre uns dez passos a frente de tudo que faço na vida, entender que existe um tempo certo pra tudo aquilo que desejamos, que nem sempre, ou na grande maioria das vezes, não é o tempo da nossa vontade.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Enquanto isso a água rola embaixo da ponte...

Bom dia Papai do Céu! Bom dia Sol! Bom dia Passarinhos! Bom dia Dia!!!!! É tudo que tenho a dizer nesse início de manhã, onde encontro-me, eu, euzinha, em completo, total e absoluto estado de êxtase. Em estado de êxtase sim, apesar dos pesares, independente de outras circunstâncias que assolam minha existência emocional nesse momento. Em estado de êxtase, por ter a confirmação de que, assim como dizia minha mãe “Nada como um dia após o outro e uma noite no meio.”, ou no meu caso, nada como várias baladas umas após as outras e algumas viagens entre as mesmas.
Um belo dia, dá-se um fato em nossa vida que nos deixa meio sem chão, meio triste, meio sem entender ao certo o que aconteceu. Pois tudo parecia muito claro, certo, sem erro, sem muita dúvida, apesar de uma ponta de incerteza, de ansiedade. Apesar de estar muito certa do que se sentia, depois de muito relutar, muito negar. Estava feliz de novo. E justamente no meio de uma fase da vida em que tudo parecia um grande redemoinho, que formava um nó enorme, na cabeça, no coração. Mas no meio desse redemoinho algo aconteceu que parecia atenuar toda a agonia.
Mas como já se previa (não por mim, que fique claro), nada era como “me” parecia ser, e a ilusão foi literalmente engolida a seco, fazendo ainda que algo se quebrasse dentro mim, sem que se percebesse. E eu segui em frente, devagarzinho, com o coração meio doloridinho e com um monte de coisa entalada na garganta pra ser vomitada em cima de quem assim merecesse. E um belo dia, ou melhor, numa bela noite, depois de tanta coisa que aconteceu no meio do meu caminho eu tenho finalmente a oportunidade de externalizar todo o meu desamor.
Nada acontece por acaso. Na realidade, esse fato que se sucedeu apenas fazia parte de algo muito maior. Tratava-se de nada mais nada menos que o estágio final do meu ciclo de reconstrução emocional. Veio confirmando a tese, ou melhor, o fato, de que todas as coisas acontecem exatamente no momento em que devem acontecer.
Eu estava quietinha no meu cantinho, descobrindo um jeito diferente de me esconder dos meus sentimentos (fato a ser explicado no próximo post), quando de repente e não mais que de repente, recebo um chamado urgente da terra dos mortos-vivos, anunciando a volta dos que não foram. Eu juro de pé junto que relutei, e não foi uma vez só não. Mas como procuro sempre ser uma pessoa melhor e a cada dia ajudar os meus próximos, assim como os não tão próximos também, dei ao zumbi a oportunidade de ser chutado presencialmente, dado o inconformismo do mesmo diante da situação ao tentar puxar meu pé pelo telefone. O que no final acabou sendo ótimo, uma vez que me ajudou a desengasgar de uma vez por todas daquele ranço preso na minha garganta, assim como me fortaleceu um pouquinho comigo mesma, de forma que eu possa encarar a situação atual com mais firmeza e determinação e, porque não, a bendita da paciência.
É crianças, nada como um dia após o outro e uma noite no meio, ainda que a mesma tenha a duração de uma típica noite de inverno na Sibéria*.


* Pra quem não sabe, algumas noites de inverno na Sibéria chegam a durar quase ou mais de 180 dias, isso quer dizer que são mais ou menos 06 meses sem um raio de sol sequer.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um breve ensaio sobre a cegueira...

Olá crianças!!! Toda viagem é um aprendizado, muitas vezes em níveis inexplicáveis. E a todo momento nos são enviadas mensagens sutis, subliminares, que na maioria das vezes não vamos reconhecer, talvez pelo fato de estarmos tão focadas na espera por um pedido de casamento dito em um megafone, que simplesmente deixamos passar despercebidos esses sinais sutis, essas mensagens subliminares que os homens nos mandam.
Ao contrário do que se pensa, as mulheres são seres muito mais racionais que os homens, raciocinam até demais às vezes. Concordo que não teria chego a esta ilustre conclusão se esse tema não tivesse sido abordado no Fantástico do último domingo, mas a partir daí comecei a analisar com mais cuidado esse assunto. Muitas vezes, na grande maioria eu diria, os homens não sabem externalizar seus sentimentos, simplesmente por não serem capazes de organizá-los e ponderar os fatos, aí das duas uma, eles piram jogando tudo pra cima quando não querem mais manter um relacionamento, ou sufocando de carinho e atenção quando estão apaixonados, ou ainda, querendo muito, ou não querendo mais nada, mandam mensagens, sem dizer nada de concreto. Mas como eu disse anteriormente, você racionalizou tanto esse sentimento, ficou tão focada na espera de algo, que não percebeu as coisas acontecendo ao seu redor, simplesmente porque elas não aconteceram da maneira que você esperava.
Eu confesso que é muito mais fácil de a gente perceber as mensagens que são enviadas pros outros e não pra gente, pois no meio do turbilhão de sentimentos que estamos constantemente ocupadas tentando organizar, acabamos nos tornando incapazes de captar essas mensagens e coletar dados, que poderiam ser processados e transformados em informações a serem usadas a nosso favor.
Às vezes num gesto simples, num toque, num olhar, na maneira que eles organizam as coisas ao redor, numa demostração explícita de dor-de-cotovelo muitas vezes nos gritam silenciosamente o desejo de nos ter por perto, a chance que estão nos dando de chegar com tudo, de literalmente tomar conta do espaço e nos fazermos presentes de uma vez por todas, e de tão perdidas entre as nossas convicções e tão cegas pelo sentimento que nutrimos pelo individuo, nós simplesmente não conseguimos enxergar, procurando pêlo em ovo e chifre em cabeça de cavalo e, consequentemente, permitindo que outra pessoa tome conta do espaço que está sutilmente nos sendo ofertado.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Entendeu??? Ou quer que eu desenhe???

Estava aqui refletindo acerca do falecimento da fêmea do filhote bovino e me veio a seguinte indagação: “Por que alguns homens simplesmente não conseguem enxergar a diferença básica entre ser educada e estar dando mole?”. E o pior disso tudo é que muitas vezes, quando a paciência começa a findar-se, você já nem faz mais tanta questão assim em ser tão cortês ou educada, mas ainda assim o sujeito não se manca.
Comecemos a ilustrar pelo começo. Há cerca de um ano e alguma coisa atrás, estava eu num sábado a tarde qualquer, trabalhando tranquilamente, e muito tranquilamente diga-se de passagem, já que nos fins de semana de baixa temporada eu acabo tendo pouquíssimo a fazer no trabalho, e eis que surge em meu MSN um sujeito que nunca vi mais loiro, aliás, não somente no MSN, mas também no Orkut. E foi nesse momento que começaram as minhas dores de cabeça por aceitar adicionar alguém que eu não conhecia previamente, mas como era a primeira vez, eu nunca havia tido problemas nesse departamento, não sabia direito onde estava me metendo e fui em frente. A principio parecia ser uma pessoa normal, a principio inclusive o papo fluiu super bem e ele então me passou seu número de telefone. Poxa vida, eu pensei comigo, que se ele confiou em mim a ponto de me passar o telefone, talvez não fosse um psicopata que estaria apenas pensando em me seduzir a fim de me picar e me jogar em algum terreno baldio, aí sim, eu fiz a burrada da minha vida e liguei pro sujeito. E por incrível que pareça, pelo telefone o papo fluiu ainda melhor. Aí vocês então me perguntam, por que eu acredito então que foi idiotice minha ligar? Logo isso ficará claro.
Pouquissímo tempo depois comecei a me enroscar com o meu ex, de leve, e logo as coisas começaram a já não ficarem tão leves assim, logo, eu cortei o contato com o sujeito do MSN dando vazão enfim a algo que começava se fortalecer fora do mundo virtual.
Enfim, acabei começando a namorar , namoro de verdade, de levar em casa, apresentar pra família e tudo. Passado um tempo sem ter qualquer tipo de contato, num domingo a noite sem mais nem menos o cara do MSN me liga, e eu atendi, sem ao menos olhar o número que chamava. Quando percebi que era o sujeito gelei, afinal, meu ex estava ao meu lado, assistindo TV em casa. Bom, despachei o sujeito, falei que estava comprometida, mas isso não significa que não tenha rolado uma briga que durou aproximadamente uma semana, tempo ainda insuficiente para poder explicar para o meu namorado que focinho de porco não era tomada.
Depois de um tempo quando eu já estava novamente solteira e na luta, reencontrei o sujeito no MSN e pensei comigo, por que não? E posteriormente eu entenderia. Marcamos um encontro. Óbvio que eu escolhi um lugar público, movimentado, onde as pessoas me conheciam, e naturalmente levei comigo minhas duas fiéis escudeiras. O cara chegou mais de uma hora atrasado do horário que havíamos combinado, e além disso não deu aquela liga, e ficou evidente, pra mim, pras minhas amigas, até pro garçom que sempre serve a gente naquela lanchonete, menos pra ele.
No dia seguinte, ou uns dois dias depois, não lembro ao certo, ele mandou mensagem pro meu celular, mas dei uma de que não era comigo e não respondi. Mas ele não se deu por vencido.
E fui assim, dando umas ignoradas sutis quando cabia, sendo vaga quanto a sair com ele novamente, esperando que ele percebesse que não iria rolar, pelo menos não nessa encarnação.
Eu sei que nessa passou um bom tempo, volta e meia ele vinha com uns papinhos de nerd sem pé nem cabeça pelo MSN, eu fazia que prestava atenção, até que um belo dia ele realmente conseguiu chamar a minha atenção com um convite deveras estapafúrdio. Mais uma vez, ele me chamou pra um cinema e um temaki, mais uma vez eu fui extremamente vaga em relação a aceitar, e ignorando completamente minha postura, ele vira pra mim e diz que sentiu uma química muito forte entre nós e que gostaria de poder ficar mais a vontade comigo, a sós. Meu Deus!!!!! Que raio de química foi essa, que só existia na cabeça dele??? Ainda teve a audácia de me perguntar quanto tempo fazia que eu não ficava a vontade com alguém. Fiquei passada. Deixei claro a minha postura em relação ao que ele havia proposto, ele querendo me dar lição de moral, dizendo que eu deveria “relaxar um pouco mais e me deixar levar”, que eu devia ser uma namorada chatíssima, que só estava me dizendo isso pro meu bem, enfim, rendeu-me boas risadas com o resto da gangue, mas resolvi não cortar de vez o contato, pois algo em mim me dizia que ele ainda iria aprontar algo ainda mais emocionante e divertido. Dito e feito.
Durante meu pós operatório (caso eu não tenha comentado antes, recentemente passei por uma cirurgia de correção de septo), estava em casa, quase matando ou morrendo de tédio, e resolvi entrar no MSN. Adivinha quem veio falar comigo??? Pois é crianças, na situação em que eu me encontrava, engessada, acamada e desesperada, eu precisava de algo divertido pra colocar na pauta da reunião de cúpula. E ele de fato se encarregou de me dar algo bem pitoresco pra ilustrar as noites de temaki, espetinho e caminhadas na praia. Começo de conversa, tudo normal. Filmes, carros, apartamentos, a conversa parecia até estar rolando de forma bastante adulta, até ele perguntar se podia abrir a webcam, naquele momento eu percebi que era melhor sentar que lá vinha história. Ele vira pra mim e diz se eu me importava com o fato de ele estar de cueca boxer, eu disse que não, alegando eu que estando ele sentado nem daria pra eu ver. Mas ele não se deu por satisfeito, e no decorrer da conversa perguntou se eu poderia opinar quanto à cueca, já que ele havia comprado a pouco tempo. Tava demorando pra tragicomédia começar. Eis que ele se levanta e começa a tentar encenar uma performance bizarra e ainda por cima tentando fazer cara de sexy. Naquele momento só rir me restava, mas antes de a coisa toda ficar esdrúxula demais, tive o bom senso de parar a conexão com a câmera. Ele mais uma vez quis dar lições de anti-moral, dizendo que eu era retraída demais. Pombas, se fosse meu namorado e eu tivesse uma baita intimidade com ele, beleza, nada mais seria que um joguinho de sedução entre os dois, até aí eu acharia permissível, mas eu mal vi o cara uma vez na vida, passei um ano dando toco atrás de toco nele e um belo dia, sem mais nem menos ele resolve me presentear com uma strip tease pela webcam. Será que passou pela cabeça dele que eu ia ficar tão ensandecida com o show que não ia me conter e ia querer dar pra ele alucinadamente a noite inteira? Enganou-se.
Depois disso ele ainda tentou mais algumas vezes tentar me chamar pra sair, mandou mensagem, convidou pra cinema, temaki, enfim. Mas depois de tudo isso nem cabe mais ser vaga e me fazer de desentendida, até porque, nem ignorar sumariamente tem adiantado mais.

sábado, 8 de maio de 2010

Somewhere over the rainbow...

Ainda pequena aprendi que o arco-íris sempre aparecia no céu quando o sol começava a sair enquanto a chuva estava quase terminando, mas não sabia ainda que havia uma explicação científica pra isso, e que o arco-íris tem até hora pra aparecer no céu, sempre no começo da manhã ou final de tarde, segundo o que aprendi no ensino médio, há algum tempo atrás, que não vem ao caso.
Uma vez tive um sonho, há um tempo atrás, um ano e pouco acho, em que me via no meio de uma tempestade e de repente eu olhava pro céu e via um raio de sol tímido, surgindo entre aquelas nuvens carregadas e escuras, ocasionando um arco-íris bem improvável. Ao contar o sonho pra minha mãe, considerando que eu estava vivendo um momento de relativo caos emocional, mamys disse-me que talvez aquele fosse um sinal de que no meio do caos que eu estava vivendo, algo de bonito nasceria... poético, mas na prática, foi só uma situação caótica que não deixou marcas visíveis a olho nú.
Depois de um começo de fim de semana improvável, que começou com a minha religiosa visita semanal ao templo da beleza acompanhada de mamys, ou melhor dizendo, voltando um pouquinho mais a fita, meu fim de semana começou na quinta-feira a noite, arrebatada por um turbilhão de sensações que estou tentando organizar dentro de mim até agora.
Amanheci completamente ensolarada na manhã de sexta-feira. Envolvida pelos raios mornos de um sol da manhã que me conduziam ao exercício do labor diário. Enquanto eu flutuava dentro de mim mesma, esqueci de reparar que o tempo começou a mudar, e quisera eu que fosse apenas no campo meteorológico. O sol se escondeu. Os seus raios mornos de outono deram lugar a uma brisa sutilmente gélida, que posteriormente iria se materializar em um verdadeiro tufão, que viria para me carregar bem longe dos matutinos planos singelos e significativos, me obrigando a admitir que a pílula da felicidade que eu havia tomado já não fazia efeito, me fazendo lembrar ainda que tratava-se apenas de uma amostra grátis de um placebo altamente viciante.
Percebi que não posso mais adiar as conversas inadiáveis, logo terei que ouvir tudo aquilo que não gostaria de ouvir, mas que no entanto talvez precise. Procurei extravasar minha angústia através da bebedeira alheia, de um papo cabeça regado à cafeína ás duas da manhã e de uma partida e meia de sinuca, finalizada com uma performance inesperada de dança encenada numa rua deserta num final de madrugada, depois de ter passado a noite inteira vigiando o celular, esquecendo que pedi encarecidamente e enfurecidamente a alguém que não o fizesse tocar, contando nos dedos, de meia mão, quantas vezes ao longo da noite que eu de fato consegui sair de dentro de mim mesma, encontrando em algum lugar perdido na minha alma, raros e afastados abrigos a fim de me proteger da tempestade que acontecia dentro de mim.
Inicio de manhã. Depois de não conseguir cochilar por quarenta minutos, fui retirada do meu estado de transe leve ao sentir o celular vibrando ao lado da minha cabeça, como punição por um crime que não cometi (pelo menos não na noite anterior), relembrando de tudo aquilo que não consegui esquecer.
E rumando mais uma vez ao labor diário, ao som de “The One” do Elton John, a única música que eu efetivamente ouvi, dentre todas que rolaram no playlist do meu MP3 Player ao longo do trajeto, atentei para alguns pingos de chuva que começavam a formar um desenho abstrato nos vidros das janelas do coletivo que me carregava. E depois de esbravejar um pouco comigo mesma por não estar munida de uma guarda-chuva, um dos resultados da minha escolha de não passar no meu lar doce lar antes de me dirigir à labuta, olhei um pouco mais longe e vi que entre algumas nuvens levemente acinzentadas uns tímidos raios de sol que tentavam inutilmente desbravar algum brilho sobre o dia ainda tenro, e por mais que eu tenha procurado, dentro e fora de mim, nessa manhã eu não consegui ver o arco-íris.